A cidade de Londrina iniciou o segundo semestre de 2026 com a maior intenção de contratação entre as regiões do Paraná
A cidade de Londrina iniciou o segundo semestre de 2026 com a maior intenção de contratação entre as regiões do Paraná. Pesquisa realizada pelo Sebrae/PR e pela Fecomércio PR aponta que 24,4% dos empresários da região pretendem ampliar o quadro de funcionários nos próximos meses, à frente de Curitiba e Região Metropolitana, com 23,4%, Maringá, com 23,3%, Ponta Grossa, com 21,8%, e região Oeste, com 19,8%.
A disposição para contratar, no entanto, esbarra em um dos principais gargalos do mercado de trabalho paranaense: 33,8% dos empresários ouvidos pelo levantamento apontam a falta de mão de obra qualificada entre as principais dificuldades enfrentadas pelos negócios. No transporte rodoviário de cargas, responsável pela movimentação de mais de 65% de tudo aquilo que é produzido no país, o problema é especialmente percebido na busca por motoristas profissionais, mecânicos especializados e técnicos de manutenção, além de alcançar áreas de gestão, tecnologia, planejamento e inteligência operacional.
Para Marcio Pozzer, diretor da regional de Londrina do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR Londrina), o setor acompanha a demanda por novas contratações, mas enfrenta uma dificuldade que vai além da abertura de vagas. “Muitas empresas já possuem oportunidades disponíveis e não conseguem preenchê-las com profissionais que tenham a qualificação e o perfil necessários. Por isso, o desafio passa por formar novos profissionais e, ao mesmo tempo, tornar o transporte mais atrativo para quem está entrando no mercado de trabalho”, afirma.
Entre os motoristas, a renovação da mão de obra é um dos pontos de maior atenção, diante da aproximação da aposentadoria de profissionais experientes e da entrada de novos trabalhadores em ritmo insuficiente para atender à demanda. Diante desse cenário, as transportadoras têm ampliado investimentos em treinamento interno e desenvolvimento de profissionais que já fazem parte de suas equipes. Em alguns casos, motoristas com menor experiência são preparados gradualmente para assumir operações mais complexas, criando oportunidades de crescimento dentro das próprias empresas. A retenção também ganhou importância, com maior atenção ao ambiente de trabalho, segurança, benefícios, gestão de pessoas e perspectivas de carreira.
“A solução passa por três pilares: atrair, formar e reter. Não podemos depender apenas de encontrar profissionais prontos no mercado, por isso as empresas estão investindo cada vez mais em treinamento e desenvolvimento interno. Também é fundamental criar condições para que essas pessoas permaneçam no setor. A remuneração dos motoristas pode ser bastante competitiva, inclusive com casos acima de R$ 8 mil mensais, mas salário sozinho não resolve. Ambiente de trabalho, segurança, benefícios, gestão de pessoas e perspectiva de carreira pesam muito na decisão do profissional de continuar na empresa”, explica Pozzer.
A transformação tecnológica das transportadoras amplia ainda mais o desafio. Rastreamento, telemetria, análise de dados, roteirização, sistemas de gestão, controle de custos, segurança e gerenciamento de riscos fazem parte da rotina das empresas, enquanto os próprios caminhões incorporam cada vez mais sistemas embarcados. Com isso, além de elevar a qualificação exigida nas funções tradicionais, o setor passou a disputar profissionais de tecnologia, análise de dados, planejamento, gestão e inteligência operacional com outros segmentos da economia.
Nesse contexto, o SETCEPAR Londrina tem buscado transformar um desafio comum às empresas em uma agenda coletiva. Por meio do departamento de Recursos Humanos, a entidade atua em temas ligados a recrutamento, gestão de pessoas, desenvolvimento e retenção, enquanto o Instituto Setcepar de Educação no Transporte (ISET) trabalha na formação e qualificação dos profissionais de acordo com as necessidades das transportadoras.
Para Pozzer, enfrentar a escassez de trabalhadores exige uma atuação conjunta entre transportadoras, entidades, instituições de ensino e poder público, além de uma mudança na percepção sobre as oportunidades existentes no segmento. “O transporte está se modernizando, incorporando tecnologia, inteligência artificial, novos processos e novas profissões. Precisamos mostrar aos jovens que trabalhar no setor não significa apenas exercer uma função operacional e que existem oportunidades de carreira, desenvolvimento e crescimento. O SETCEPAR, seu RH e o ISET têm um papel importante justamente em criar essas pontes e ajudar as empresas a preparar os profissionais que o transporte precisa hoje e precisará no futuro”, conclui.
Fonte: SETCEPAR Londrina / Foto: Banco de Imagens - Canva
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