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Mercado 24/04/2026 - por Mundo Logística

De novas regras a custo tributário: Como a pressão aumentou sobre o transporte de cargas em 2026

Margens apertadas e exigências crescentes têm influenciado, cada vez mais, operação, conformidade e previsibilidade do modal predominante do país; tema será destaque no Transporte do Futuro

De novas regras a custo tributário: Como a pressão aumentou sobre o transporte de cargas em 2026

No transporte rodoviário de cargas, uma operação pode travar antes mesmo de o caminhão sair do pátio. Basta um documento inconsistente, um registro fora do padrão ou uma divergência entre o frete contratado e o valor exigido pela regulação.

Em 2026, esse risco ganhou escala. Com fiscalização mais intensa, maior integração entre sistemas e novas regras para o piso mínimo, o ambiente regulatório passou a interferir mais diretamente no fluxo da operação.

Nos últimos meses, o setor passou a conviver com o endurecimento da fiscalização do piso mínimo de frete, a ampliação do papel do CIOT, o avanço da digitalização de exigências como o Vale-Pedágio Obrigatório e a consolidação de novos modelos de controle. Ao mesmo tempo, a discussão regulatória ganhou força em um cenário de alta do diesel, pressão sobre custos e necessidade crescente de eficiência.

Na prática, esse ambiente regulatório começa antes mesmo de o caminhão sair. Ele aparece em uma cadeia de exigências documentais, registros obrigatórios e responsabilidades compartilhadas entre os agentes envolvidos na operação.

Hoje, três documentos fiscais são obrigatórios em praticamente toda viagem: Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Dependendo do perfil da operação, entram ainda instrumentos e exigências como o CIOT, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), o Vale-Pedágio Obrigatório e comprovações ligadas a seguros obrigatórios.

2026 MARCA MUDANÇA DE PATAMAR

Embora o transporte rodoviário de cargas já operasse há anos sob forte regulação, 2026 marcou uma mudança de escala no debate. Nos últimos meses, o tema ganhou força com a atualização da tabela do piso mínimo de frete pela ANTT, o reforço da fiscalização, a publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026 e, na sequência, a regulamentação do novo modelo pelo Ministério dos Transportes e pela agência reguladora.

A MP nº 1.343/2026 trouxe novas regras para o cumprimento do piso mínimo do frete. Entre os principais pontos, ficaram a obrigatoriedade de registro de todas as operações via CIOT, a vinculação do CIOT ao MDF-e, a possibilidade de bloqueio da emissão quando houver descumprimento do piso e a fiscalização integrada entre ANTT e órgãos fiscais.

A mudança ganhou contornos mais concretos quando a ANTT publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, as Resoluções nº 6.078/2026 e nº 6.077/2026, que regulamentaram a aplicação da MP e detalharam um novo modelo operacional para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas.

Entre os pontos centrais, o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) passou a ser condição indispensável para a realização de qualquer operação. Pela regulamentação, operações que não atendam ao piso mínimo não têm o CIOT gerado, o que impede a formalização. Na prática, isso significa que o frete irregular deixa de avançar para a etapa operacional.

O endurecimento das regras não se limitou à ampliação da exigência documental. Ele também alcançou o regime sancionatório. A MP endureceu as penalidades para operações abaixo do piso mínimo. Entre as medidas previstas estão multas entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por operação, suspensão do direito de contratar fretes, suspensão cautelar ou cancelamento do RNTRC e, em casos específicos, responsabilização de sócios e integrantes de grupos econômicos.

No caso das transportadoras, as penalidades podem incluir multas, suspensão e cancelamento do RNTRC por até dois anos. Já no caso de empresas contratantes, o texto aponta a possibilidade de proibição de contratar novos fretes.

AUTUAÇÕES MOSTRAM QUE O TEMA SAIU DO PAPEL

O novo peso do ambiente regulatório também aparece na escala da fiscalização. Em 2026, a ANTT aplicou mais de R$ 354 milhões em multas por descumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas.

No mesmo período, mais de 90 mil autuações foram registradas. O volume representa alta de 33% em relação a todo o ano de 2025, quando cerca de 67 mil multas foram aplicadas. De acordo com a agência, o avanço no número de autuações está ligado ao uso mais intensivo da fiscalização eletrônica no setor.

Para efeito de comparação histórica, em 2018, primeiro ano da série, o valor total das multas aplicadas por esse tipo de infração foi de R$ 69 mil em todo o ano.  Esses dados ajudam a mostrar que a discussão sobre ambiente regulatório não se resume a novas regras. Ela envolve uma mudança na forma como o poder regulatório se manifesta sobre a operação.

COMPLEXIDADE TRIBUTÁRIA AMPLIA BUROCRACIA LOGÍSTICA

A discussão sobre ambiente regulatório no transporte também se conecta a um problema mais amplo: o custo da complexidade tributária e burocrática no Brasil.

De acordo com o Observatório do Custo do Brasil, a complexidade do sistema tributário brasileiro impõe um alto custo para as empresas, impactando diretamente a competitividade e a produtividade do setor produtivo. Dados foram divulgados pela MundoLogística.

Com um sistema caracterizado por múltiplos tributos, regimes fiscais diversos e constantes mudanças na legislação, as companhias gastam cerca de R$ 300 bilhões ao ano apenas para cumprir obrigações fiscais — valor que representa aproximadamente 17,5% do chamado Custo Brasil.

Além dos custos diretos com o pagamento de tributos, as empresas precisam lidar com despesas relacionadas ao planejamento tributário, contratação de especialistas, manutenção de sistemas de gestão fiscal e conformidade regulatória. Esse cenário gera insegurança jurídica e leva a frequentes disputas judiciais, dificultando o ambiente de negócios no país.

Segundo dados do observatório, o Brasil ocupa a última posição no ranking global de complexidade tributária do estudo Doing Business, do Banco Mundial, com um tempo médio de 1.501 horas anuais dedicadas ao pagamento de tributos. Esse número é quase cinco vezes superior à média da América Latina (317,1 horas/ano) e dez vezes maior do que o tempo gasto em países da OCDE (158,8 horas/ano).

Um estudo conduzido pelo Movimento Brasil Competitivo, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, revelou que o Custo Brasil — conjunto de barreiras estruturais, burocráticas e econômicas que elevam os custos operacionais das empresas — alcançou R$ 1,7 trilhão em 2021.

O valor equivale a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e representa um desafio significativo para a competitividade das empresas brasileiras em relação aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Uma das soluções apontadas pelo estudo para mitigar esses custos é a ampliação e diversificação da matriz logística do país. De acordo com os dados mais recentes do Observatório do Custo Brasil, atualizados em novembro de 2024, a redução dos custos na infraestrutura logística tem um potencial de impacto de R$ 224,76 bilhões.

Segundo estudos do Plano Nacional de Logística (PNL), uma redistribuição eficiente da carga entre os diferentes modais poderia reduzir o custo logístico de R$ 283 bilhões para R$ 59 bilhões, representando uma economia de 12,9% no custo por tonelada transportada.

Essa mudança não apenas reduziria os gargalos que impactam a produção e a exportação, mas também contribuiria para que o Brasil cumprisse suas metas ambientais, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa.

REFORMA TRIBUTÁRIA ADICIONA CAMADA DE PRESSÃO

Se a complexidade atual já pesa, a Reforma Tributária adiciona uma nova camada de atenção ao transporte rodoviário de cargas.

A transição já começou e o impacto no setor é direto. Com implementação gradual e cronograma previsto até 2033, as transportadoras passaram a ter de se preparar para operar, por anos, com dois sistemas de tributação simultaneamente. Na prática, isso significa conviver com um período prolongado de adaptação em um ambiente já marcado por alta carga administrativa e exigências de conformidade.

O novo modelo substitui a lógica atual, marcada por variações entre estados e regras distintas na emissão de documentos fiscais, por dois tributos principais: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), ambos com alcance nacional. A mudança altera procedimentos ligados à emissão de documentos fiscais, ao cálculo do frete e à geração de créditos tributários.

Para o transporte, o impacto tende a ser direto. A unificação elimina variações de ICMS entre estados e adota uma lógica de tributação no destino da carga, o que exige revisão de rotas, contratos e estratégias de precificação do frete.

De acordo com a KMM by nstech, o novo cenário traz regras mais amplas de crédito e novas alíquotas, o que amplia a necessidade de controle para o aproveitamento correto desses créditos e para o ajuste das margens. Na prática, a operação logística passa a ser observada de forma mais integrada, e o frete ganha peso mais claro na composição tributária.

Os custos também podem subir. Segundo estimativas citadas pela empresa, alíquotas em torno de 25% podem elevar despesas, especialmente em transportadoras que ainda não possuem controle rigoroso dos gastos. Embarcadores também podem sentir reflexos no preço de produtos, enquanto transportadores autônomos e microempreendedores individuais enquadrados no Simples Nacional podem enfrentar ajustes no regime.

O tema já aparece em simulações concretas. Conforme divulgado pela MundoLogística, o novo modelo pode elevar a carga tributária sobre empresas de serviços logísticos. Em alguns casos, como o da TruckPag, a tributação pode até triplicar com a adoção das novas alíquotas da CBS (9,3%) e do IBS (18,7%). O dado vem de um levantamento realizado pela empresa em parceria com a Rumo Brasil, consultoria voltada ao setor transportador.

COMO ESTAR ATUALIZADO?

Para preencher essa e outras lacunas estruturais do setor, a MundoLogística realizará o Transporte do Futuro, nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reúne mais de 2 mil líderes do setor — donos de transportadoras, CEOs, gestores e diretores de grandes embarcadores — em torno de conteúdo técnico aplicado, geração de negócios e relacionamento com quem está, de fato, remodelando o transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Temas como gestão de motoristas, compliance trabalhista, planejamento financeiro, controle de custos operacionais e o uso de tecnologia na tomada de decisões integram a programação, estruturada em trilhas temáticas por segmento — agro, varejo, indústria e e-commerce. Além dos palcos, o evento terá área de negócios, Matchmaking, mentorias e espaços exclusivos de relacionamento.

 

As inscrições estão abertas no site oficial do evento: transportedofuturo.com.br.

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