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Mercado 20/07/2026 - por Portal do Agronegócio

Frete rodoviário bate recorde no Brasil em 2026 e escassez de caminhões impulsiona alta dos custos no agronegócio

Preço médio do transporte de cargas alcança novo recorde no segundo trimestre de 2026, mesmo com queda no volume de fretes. Oferta limitada de caminhões supera o impacto do diesel na formação das tarifas

Frete rodoviário bate recorde no Brasil em 2026 e escassez de caminhões impulsiona alta dos custos no agronegócio

O transporte rodoviário de cargas no Brasil registrou uma mudança significativa no segundo trimestre de 2026. Apesar da retração de 22% no volume nacional de fretes em comparação com o mesmo período do ano passado, o preço médio do transporte avançou cerca de 20%, atingindo o maior patamar da série recente e evidenciando uma nova dinâmica na formação das tarifas.

Levantamento da Frete.com, por meio da edição trimestral do relatório Frete Insights, mostra que a disponibilidade de caminhões e motoristas passou a exercer influência maior sobre os preços do que o próprio custo do diesel, especialmente nos corredores logísticos ligados ao agronegócio.

Índice de fretes mantém trajetória de alta

O Índice Frete.com de Preços (IFP) registrou crescimento de 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2026. Somente no mês de junho, o indicador avançou mais 3,3%, consolidando a tendência de valorização observada ao longo dos últimos trimestres.

Mesmo diante da redução na movimentação de cargas, a menor oferta de veículos disponíveis para transporte sustentou o aumento das tarifas em praticamente todo o país.

Escassez de caminhões supera impacto do diesel

Um dos principais destaques do estudo é a mudança estrutural nos fatores que determinam o preço do frete.

Enquanto o diesel acumulou alta anual de aproximadamente 14%, o valor médio do transporte cresceu cerca de 21%, demonstrando que o combustível deixou de ser o principal componente de pressão sobre as tarifas.

Segundo a análise, o desequilíbrio entre oferta e demanda de caminhões, principalmente nas regiões responsáveis pelo escoamento da produção agropecuária, tornou-se o principal fator de valorização dos fretes.

A menor disponibilidade de veículos e motoristas vem mantendo os preços elevados, mesmo em um cenário de redução da demanda por transporte.

Sudeste amplia participação na logística nacional

Embora todas as regiões brasileiras tenham registrado retração no volume de fretes durante o trimestre, o Sudeste ampliou sua participação no mercado nacional.

A região passou de 39% para 43% do total de cargas movimentadas, consolidando sua posição como principal polo logístico do país. Em contrapartida, Sul e Norte apresentaram as maiores reduções no período, ambas com queda de 34%.

Na análise por estados, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso concentraram 52% de todo o volume de fretes registrado pela plataforma, reforçando a importância dos corredores que conectam o parque industrial do Sudeste às principais regiões produtoras do Centro-Oeste.

Agronegócio continua liderando o transporte de cargas

O agronegócio manteve sua posição como o principal segmento do transporte rodoviário brasileiro, respondendo por 42,9% de todos os fretes registrados no segundo trimestre.

Mesmo com a desaceleração observada no período, o setor continua concentrando os maiores fluxos logísticos do país, especialmente nas rotas de exportação de grãos, fibras e outras commodities agrícolas.

Essa concentração também refletiu diretamente nos preços.

As maiores altas nas tarifas ocorreram justamente nos corredores ligados ao escoamento da produção agropecuária. Entre os destaques estão:

  • Nova Mutum (MT) – Imbituba (SC): alta de 72,3%;
  • Barro Alto (GO) – Laranjeiras (SE): avanço de 49,2%;
  • Campo Verde (MT) – Paranaguá (PR): valorização de 48,6%.

Os percentuais referem-se à comparação com o segundo trimestre de 2025.

Corredores do agro concentram maior pressão sobre a frota

O estudo também identificou os principais gargalos logísticos do país por meio da relação entre cargas disponíveis e caminhões ofertados.

O corredor Coromandel (MG) – Santos (SP) apresentou o maior desequilíbrio, com 6,96 cargas para cada caminhão disponível.

Na sequência aparecem:

  • Porto dos Gaúchos (MT) – Rondonópolis (MT): 5,11 cargas por caminhão;
  • Luz (MG) – Santos (SP): 4,56 cargas por caminhão.

Os dados mostram que a maior pressão sobre a capacidade de transporte permanece concentrada nas rotas utilizadas pelo agronegócio para escoar a produção até os principais portos brasileiros.

Por outro lado, alguns corredores com destino aos portos da Região Sul já apresentam maior disponibilidade de caminhões do que de cargas, cenário que reduz a pressão sobre os preços nessas operações.

Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram demanda por transporte

Na avaliação por estado, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o indicador de carga por caminhão, confirmando que essas regiões concentram os maiores desafios logísticos do país.

A forte demanda por transporte nessas áreas, aliada à limitação da oferta de veículos, mantém o mercado aquecido e reforça a tendência de fretes mais elevados para os próximos meses.

Perspectiva para o mercado de fretes

Os dados do segundo trimestre indicam que o transporte rodoviário brasileiro passa por uma mudança estrutural. A disponibilidade de caminhões e motoristas tornou-se o principal fator de formação das tarifas, reduzindo a influência histórica do preço do diesel.

Para o agronegócio, que depende intensamente da logística rodoviária para abastecer o mercado interno e atender às exportações, a tendência é de continuidade da pressão sobre os custos de transporte, especialmente durante os períodos de maior movimentação da safra.

 

Fonte: Portal do Agronegócio / Foto: Divulgação

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