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comunicação

Mercado 11/08/2026 - por SETCEPAR

Novo Plano Diretor de Curitiba deve considerar logística urbana desde a fase de planejamento, defende SETCEPAR

Entidade que representa transportadoras paranaenses afirma que uma cidade mais eficiente também depende de soluções para garantir o abastecimento da sociedade

Novo Plano Diretor de Curitiba deve considerar logística urbana desde a fase de planejamento, defende SETCEPAR

A revisão do Plano Diretor de Curitiba, atualmente em discussão na Câmara Municipal, propõe uma nova estratégia para o crescimento da capital nas próximas décadas. Entre as principais diretrizes estão a concentração do crescimento populacional em regiões que já possuem infraestrutura consolidada e o fortalecimento do conceito de "cidade de 15 minutos", modelo que busca aproximar moradia, trabalho, comércio, serviços e equipamentos públicos para reduzir deslocamentos e tornar a cidade mais eficiente.

Embora o debate esteja naturalmente voltado à mobilidade urbana, ao transporte coletivo e à qualidade de vida da população, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) chama atenção para um aspecto que considera indispensável ao sucesso desse modelo: a logística de abastecimento. À medida que mais pessoas passam a viver e consumir em determinadas regiões, cresce também a necessidade de circulação de veículos responsáveis por abastecer supermercados, farmácias, restaurantes, hospitais, condomínios, centros comerciais e demais estabelecimentos que sustentam o funcionamento da cidade.

Na avaliação do SETCEPAR, o transporte rodoviário de cargas não pode ser tratado apenas como uma consequência do crescimento urbano, mas como parte da infraestrutura essencial para que a cidade funcione de forma eficiente. Segundo o presidente da entidade, Silvio Kasnodzei, é preciso desfazer um equívoco comum: adensar não reduz o volume de carga que circula na cidade, apenas o redistribui e o concentra.

“Mais moradores por metro quadrado significam mais entregas por endereço. Somado ao crescimento do comércio eletrônico, o movimento é de fragmentação: mais viagens, com cargas menores e mais paradas por rota. Um eixo adensado gera, proporcionalmente, mais operações de carga e descarga do que a mesma população espalhada em bairros de baixa densidade”, afirma.

Para o SETCEPAR, o próprio conceito de "cidade de 15 minutos" reforça a necessidade de incorporar a logística ao planejamento urbano. À medida que cresce o comércio de bairro, os serviços de proximidade e a demanda por entregas impulsionada pelo comércio eletrônico, aumenta também a frequência das operações de abastecimento.

Por isso, a entidade defende que o Plano Diretor preveja soluções como áreas internas para carga e descarga em novos empreendimentos, microcentros de distribuição, uso de veículos menores ou elétricos na última etapa das entregas, armários inteligentes em grandes condomínios e vagas de carga e descarga com gestão ativa nas regiões de maior adensamento.

Kasnodzei alerta que, quando essa infraestrutura não é prevista, os problemas acabam sendo transferidos para as vias públicas. “A carga não desaparece por não ter sido planejada. Ela reaparece na fila dupla, na faixa de ônibus e na calçada. Sem áreas adequadas para carga e descarga, o motorista acaba sendo penalizado por uma falha de planejamento urbano sobre a qual não tem qualquer controle. Além disso, o tempo gasto procurando onde parar reduz a produtividade da operação, aumenta o custo do frete e, no fim da cadeia, encarece os produtos que chegam ao consumidor”, explica.

Além das medidas voltadas aos novos empreendimentos, a entidade defende que futuras restrições de circulação de caminhões sejam sempre precedidas por estudos de impacto logístico e construídas em diálogo com transportadoras, comerciantes, embarcadores e entidades representativas. Também propõe gestão digital das vagas de carga e descarga, incentivo às entregas fora dos horários de pico e maior previsibilidade regulatória para que as empresas possam planejar investimentos e adaptar suas operações.

Outro ponto considerado estratégico é a integração metropolitana. Segundo o SETCEPAR, Curitiba não se abastece sozinha. Grande parte dos centros de distribuição responsáveis pelo abastecimento da capital está localizada em municípios como Araucária, São José dos Pinhais, Colombo e Pinhais, o que exige que as políticas de mobilidade, circulação de cargas e infraestrutura sejam planejadas de forma integrada em toda a Região Metropolitana.

“O SETCEPAR não se coloca como um interlocutor de oposição ao Plano Diretor. Defendemos uma cidade mais eficiente, sustentável e com melhor mobilidade. O que propomos é que a logística urbana seja reconhecida como parte da infraestrutura essencial da cidade. Planejar o abastecimento junto com o crescimento urbano é muito mais eficiente do que tentar resolver os problemas depois que eles já apareceram. Queremos participar da construção dessas soluções, porque uma cidade bem abastecida também é uma cidade que funciona melhor”, conclui Kasnodzei.

 

Fonte: SETCEPAR / Foto: Divulgação/Canva

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