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comunicação

Mercado 23/10/2026 - por SETCEPAR

SETCEPAR reúne transportadores e especialistas para o 3º ESG Day

Evento abordou descarbonização, inteligência artificial e cultura organizacional e realizou a segunda edição do Prêmio ESG SETCEPAR

SETCEPAR reúne transportadores e especialistas para o 3º ESG Day

O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) realizou, nesta quarta-feira (21), em Curitiba, a terceira edição do ESG Day, encontro que reuniu empresários, lideranças, especialistas e profissionais do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) para discutir como sustentabilidade, tecnologia e gestão já começam a transformar a realidade das transportadoras.

A programação conectou diferentes desafios que fazem parte das decisões das empresas do setor, passando pela adoção de alternativas para a descarbonização das operações, pelo avanço da inteligência artificial nos negócios de transporte e logística e pelo papel da cultura organizacional na competitividade. O evento também contou com a realização do 2º Prêmio ESG SETCEPAR, criado para reconhecer boas práticas desenvolvidas pelas próprias empresas.

Na abertura oficial, Silvio Kasnodzei, presidente do SETCEPAR, destacou o papel do ESG Day como espaço de encontro, aprendizado e apoio às empresas diante das transformações enfrentadas pelo Transporte Rodoviário de Cargas. 

“É uma satisfação reunir novamente o setor em uma agenda que trata de temas diretamente ligados à perenidade dos nossos negócios e à responsabilidade que temos com a sociedade. O SETCEPAR é a Casa do Transportador Rodoviário de Cargas e existe justamente para que as empresas não precisem enfrentar sozinhas tantas mudanças e novos desafios. Nem sempre teremos todas as respostas dentro da entidade, mas temos parceiros e especialistas capazes de contribuir em diferentes áreas e apoiar nossos associados nesse processo”, destacou Kasnodzei.

Na sequência, Josana Teruchkin, coordenadora do Comitê ESG SETCEPAR, e Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do SETCEPAR e membro do Comitê ESG, subiram ao palco para destacar o caráter colaborativo do encontro e a importância de manter a agenda ESG conectada aos desafios atuais do Transporte Rodoviário de Cargas. 

“Chegar à terceira edição mostra que estamos construindo uma agenda contínua e que muitas empresas já acompanham esse movimento desde o início. Hoje é uma oportunidade para sair um pouco da rotina, ouvir profissionais de mercado, conhecer novas perspectivas e entender o que outras organizações já estão colocando em prática. Também é um momento importante de networking e troca. Quanto mais compartilharmos experiências, programas e iniciativas, mais fortalecemos o nosso setor”, afirmou Josana Teruchkin.

Luiz Gustavo Nery ressaltou que, mesmo diante de um ano marcado por discussões como reforma tributária, diesel, piso mínimo de frete e mudanças nas relações de trabalho, a agenda ESG não pode perder espaço nas decisões empresariais. “Temos muitos desafios no Transporte Rodoviário de Cargas, mas precisamos continuar olhando para o ESG como parte estratégica do negócio. Benchmarking, troca de experiências e compartilhamento ajudam a trazer eficiência e capacidade para as organizações. Também precisamos ter ambidestria, ou seja, cuidar do negócio de hoje, garantindo produtividade e resultado, ao mesmo tempo em que preparamos as empresas para as transformações que o mercado exige”, destacou.

A programação técnica iniciou com o painel “Descarbonização na prática: o que já está rodando no TRC”, que levou ao debate alternativas que já começam a ser incorporadas às operações. A discussão passou por veículos movidos a biometano, infraestrutura de abastecimento, financiamento sustentável e os desafios de conciliar a transição energética com viabilidade econômica e eficiência operacional.

Luiz Kuns, diretor comercial da Compagas, apresentou o potencial do gás natural e do biometano para a redução da dependência do diesel no transporte pesado. Entre os dados apresentados, destacou que o transporte rodoviário concentra cerca de 70% do consumo nacional de diesel e que o Brasil ainda importa aproximadamente 24% do combustível consumido, o que amplia a exposição do setor às oscilações internacionais. A apresentação também mostrou o avanço da infraestrutura de abastecimento e o potencial do Paraná para conectar corredores logísticos do Sul e Sudeste. 

“A transição energética precisa combinar redução de emissões com competitividade para o transportador. O Paraná tem uma posição logística estratégica e condições para ampliar corredores de abastecimento que deem segurança para as empresas investirem em novas tecnologias. O biometano já apresenta potencial para reduzir significativamente as emissões e, em determinadas operações, também diminuir o custo por quilômetro. O desafio agora é ampliar infraestrutura e escala para que essa alternativa esteja disponível em cada vez mais rotas”, destacou Kuns.

Na sequência, Joyce Bessa, vice-presidente de ESG da NTC&Logística e diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, apresentou o Corredor Verde, iniciativa criada para enfrentar um dos principais entraves à adoção do biometano: a disponibilidade de pontos de abastecimento nas rotas. O projeto conecta inicialmente Sumaré, Ribeirão Preto e Cubatão, formando um eixo de aproximadamente 450 quilômetros, e acompanha a expansão da frota da empresa, que iniciou a operação com dez caminhões e prevê chegar a 100 veículos movidos a biometano até dezembro de 2026.

Com a frota completa, a TransJordano projeta percorrer 5,5 milhões de quilômetros por ano com biometano, o equivalente a aproximadamente 17% de toda a sua quilometragem anual, evitando cerca de 6,5 mil toneladas de CO? equivalente por ano. A apresentação também apontou potencial de redução de até 95% das emissões de CO? em comparação ao diesel nas operações apresentadas.

“A tecnologia do caminhão e o biometano já existiam, mas faltava resolver uma questão essencial para a operação: onde abastecer. O Corredor Verde nasceu para transformar essa barreira em uma solução concreta e permitir que a descarbonização aconteça na estrada. A proposta é mostrar que sustentabilidade precisa estar conectada à realidade operacional, com infraestrutura, autonomia e condições para que o transportador consiga incorporar essa alternativa ao negócio”, afirmou Joyce.

Após as apresentações, Luiz Kuns e Joyce Bessa se juntaram a Marilice Collin, sócia-fundadora da Allia-eco, em um debate mediado por Silvia Elmor, cofundadora da Maré e conselheira em sustentabilidade. O painel aprofundou os temas apresentados anteriormente, discutindo os caminhos para ampliar o uso do gás natural e do biometano no transporte pesado, os desafios de infraestrutura e abastecimento, a viabilidade econômica das novas tecnologias e as condições necessárias para que essas soluções ganhem escala nas operações do Transporte Rodoviário de Cargas. A conversa também contou com perguntas do público, ampliando a troca de experiências sobre os desafios práticos da descarbonização no setor. 

Inteligência artificial amplia possibilidades para os negócios

A transformação tecnológica também esteve no centro da programação com a palestra “Depois da rota: como a IA está redesenhando o negócio de transporte e logística”, conduzida por Alessandra Fu, executiva de tecnologia e professora na área de inteligência artificial. A apresentação mostrou que o avanço da IA na logística vai além da automação de tarefas e passa pela capacidade de transformar dados em decisões mais rápidas e coordenadas, conectando informações de veículos, clientes, GPS, telemetria, clima, estoques, custos e contratos.

Entre os pontos abordados, Alessandra destacou o uso da IA para antecipar problemas, reorganizar rotas, reduzir esperas e apoiar decisões operacionais, além de chamar atenção para custos menos visíveis da logística, como retrabalho, ociosidade e informações fragmentadas. A palestra também reforçou que o avanço da tecnologia precisa vir acompanhado de governança, segurança e responsabilidades claras, especialmente à medida que os sistemas ganham mais autonomia.

“A inteligência artificial não deve ser vista apenas como uma ferramenta para automatizar o que já fazemos. Ela permite repensar a forma como a operação percebe informações, toma decisões e coordena diferentes áreas. Na logística, isso significa usar melhor os dados para antecipar situações, reduzir esperas e retrabalho e agir mais rapidamente. O desafio é combinar essa capacidade com governança e com o papel das pessoas, porque o futuro não será apenas mais automatizado, mas mais inteligente e integrado”, destacou Alessandra.

Após a apresentação, Leopoldo Suarez, vice-presidente de Cliente, Estratégia e Mercado da NSTECH, participou da discussão e das perguntas do público. 

Prêmio reconhece iniciativas das empresas

No período da tarde, a programação contou com a realização do 2º Prêmio ESG SETCEPAR, iniciativa do Comitê ESG da entidade voltada ao reconhecimento de projetos que transformam práticas ambientais, sociais e de governança em ações concretas dentro das empresas. O processo de avaliação foi conduzido e auditado pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC).

A premiação foi dividida nas categorias Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Social e Governança Corporativa, com reconhecimento aos três primeiros colocados de cada uma delas. 

Responsabilidade Social

1º lugar: Patrus Transportes, com o projeto “Transportando Solidariedade”;

2º lugar: Cargolift, com o projeto “Programa Menor Matrix”;

3º lugar: Greca Transportes, com o projeto “Time Greca Responsável - TGR”.

Responsabilidade Ambiental

1º lugar: Ativa Logística, com o projeto “Ecoeficiência Intermodal Ativa: Circularidade da Estrada no Ar”;

2º lugar: TLog Transportes, com o projeto “Inbound BEV”;

3º lugar: TransJordano, com o projeto “Corredor Verde”.

Governança Corporativa

1º lugar: Cargolift, com o projeto “MatrixCargo”;

2º lugar: Ativa Logística, com o projeto “IA como aliada na verificação de Contratos e Documentos”;

3º lugar: TIC Transportes, com o projeto “Segurança, em tudo que fazemos”.

Pessoas e cultura encerram programação

Finalizando a programação técnica do encontro, Adeildo Nascimento, fundador e CEO da DHEO Consultoria e especialista em cultura organizacional, conduziu a palestra “Cultura organizacional como diferencial competitivo”. A apresentação abordou como uma cultura consistente pode criar identidade comum, fortalecer relações e dar mais autonomia às equipes sem perder alinhamento. Entre os conceitos apresentados estiveram a necessidade de colocar a causa acima da instituição, estimular colaboração para além das estruturas formais e transformar valores organizacionais em comportamentos percebidos no cotidiano.

“Cultura não se constrói apenas com missão, visão e valores escritos. Ela aparece na coerência entre o que a organização diz e aquilo que as pessoas vivenciam na prática. Empresas que conseguem criar uma causa compartilhada, gerar confiança e dar autonomia com alinhamento fortalecem o envolvimento das equipes e constroem uma base mais consistente para enfrentar as transformações do negócio”, refletiu Adeildo.

Além dos conteúdos, o evento incorporou iniciativas de sustentabilidade à própria realização. A Siga Verde ficou responsável pelo cálculo e compensação das emissões de carbono provenientes dos deslocamentos dos participantes, enquanto os crachás foram produzidos em papel-semente, permitindo o plantio após o encontro.

Ao encerrar a terceira edição, o SETCEPAR reforçou a proposta de manter o ESG Day como espaço de troca e aprendizado para o Transporte Rodoviário de Cargas. Na avaliação de Paulo Carvalho, diretor da entidade e que fez a finalização oficial do evento, temas ligados à governança, cultura, processos, dados e gestão ganham ainda mais relevância diante de um cenário marcado por mudanças regulatórias, operacionais e tributárias, exigindo das empresas maior capacidade de adaptação e planejamento.

“A empresa que tiver mais governança, mais dados, mais informação e mais capacidade de gerenciamento consegue se preparar antes e tomar decisões com mais segurança. Esse é um diferencial importante para o negócio. O ESG Day também cumpre esse papel de compartilhar experiências, despertar novas ideias e mostrar que qualquer iniciativa pode contribuir para a evolução das empresas e do setor. Muito obrigado à todos os patrocinadores, à equipe do SETCEPAR e os participantes que fizeram mais essa edição possível”, concluiu Carvalho.

O 3º ESG Day foi uma realização do SETCEPAR e contou com o patrocínio master da NSTech, patrocínio diamante da Compagás e DaVinci Consulting & Tech, patrocínio ouro da Transpocred e patrocínio prata da FM Pneus, Guerra RODOFAG, Jireh Consórcios, MDS Group, Raster, Siga Verde e Truckpag.

 

Fonte: SETCEPAR 

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