Conforme dados publicados no Diário Oficial da União, maior volume de autuações foi registrado em 21 de maio; ao todo, foram mais de 15 mil autos de infração nesse único dia
Apesar dos avanços recentes em infraestrutura, o setor de transportes no Brasil segue sob pressão, com impacto direto sobre custos e eficiência. A fragilidade é mais evidente no modal rodoviário, responsável por cerca de 60% da movimentação de cargas no País, segundo a Confederação Nacional do Transporte.
Um dos principais fatores é o envelhecimento da frota. De acordo com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, os caminhões em circulação têm idade média de 15 anos, índice que ultrapassa 22 anos entre autônomos. A defasagem tecnológica reduz a eficiência operacional, eleva o consumo de combustível e aumenta a necessidade de manutenção, pressionando o custo por quilômetro rodado e ampliando o risco de acidentes.
Esse cenário se reflete na estrutura de custos da economia. Dados do Instituto Ilos indicam que a logística consome 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, sendo 8,55% apenas com transporte. O peso elevado compromete a competitividade e se traduz em aumento de preços ao longo da cadeia, do frete ao consumidor final.
Para Tatiane Bueno, CEO da Tecnorisk, o problema vai além da idade dos veículos. “O envelhecimento da frota não é apenas uma questão de eficiência, mas de previsibilidade operacional. Quanto mais antigo o caminhão, maior a variabilidade de custo e o risco de interrupções na cadeia logística”, afirma. Segundo ela, a defasagem tecnológica também impacta diretamente a segurança. “Estamos falando de veículos que não incorporam avanços importantes em frenagem e estabilidade, o que eleva o risco sistêmico das operações.”
Mão de obra escassa
Outro ponto crítico é a escassez de mão de obra. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da União Internacional dos Transportes Rodoviários indicam que a idade média dos motoristas está entre 46 e 50 anos, enquanto a profissão perde atratividade diante de jornadas extensas, baixa remuneração e insegurança.
O impacto já aparece na base de profissionais. O número de motoristas ativos caiu de cerca de 3,5 milhões em 2014 para aproximadamente 1,3 milhão em dez anos, segundo dados da ANTT. A redução pressiona o mercado de fretes e pode comprometer o abastecimento, sobretudo em um país altamente dependente das rodovias.
Para a CEO da Tecnorisk, Tatiane Bueno, o risco é estrutural. “A combinação entre frota envelhecida e escassez de motoristas cria um efeito cumulativo. Não é apenas uma questão de custo, mas de capacidade de atendimento da demanda logística no médio prazo. Sem reposição de mão de obra e melhoria das condições da profissão, o País pode enfrentar restrições reais de oferta no transporte de cargas”, afirma.
Para ela, o gerenciamento de risco ganha papel estratégico na mitigação de perdas e na previsibilidade das operações. Com maior incidência de falhas mecânicas, acidentes e atrasos, empresas passam a depender de sistemas de monitoramento, controle logístico e inteligência de dados para garantir segurança, eficiência e continuidade no transporte. “A gestão de risco deixa de ser um diferencial e passa a ser uma camada essencial da operação. É ela que permite reduzir incertezas em um ambiente cada vez mais pressionado”, diz Tatiane Bueno.
Multas aplicadas pela ANTT entre 18 e 22 de maio (Foto: DOU; dados consolidados pela MundoLogística)
Entre as empresas com maior número de autuações no período, os volumes variam de 1.398 infrações, no caso da companhia mais autuada, até 53 registros entre as 50 empresas com maior quantidade de multas publicadas nos cinco dias analisados.
A empresa com maior número de autuações concentrou 1.398 registros no período, sendo 748 apenas no dia 21 de maio. A segunda companhia com mais infrações somou 1.247 autuações, das quais 559 foram publicadas no mesmo dia. Já a terceira empresa registrou 547 multas no período, com 357 concentradas em 21 de maio. A quarta colocada acumulou 524 autuações, sendo 149 apenas naquela quinta-feira.
PISO MÍNIMO LIDERA VOLUME DE AUTUAÇÕES
Embora as autuações envolvam diferentes tipos de infrações regulatórias monitoradas pela ANTT, o maior volume está concentrado no piso mínimo de frete.
Do total de 37.473 autuações registradas no período, 25.969 estavam relacionadas ao descumprimento do piso mínimo do frete, o equivalente à 69,3% dos registros publicados pela agência nos cinco dias analisados.
Na sequência aparecem autuações ligadas ao Vale-Pedágio, com 10.071 registros, além de infrações relacionadas ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), transporte de passageiros, evasão de balança, Pagamento Eletrônico de Frete (PEF) e transporte rodoviário de produtos perigosos.
Os dados também mostram concentração das autuações de piso mínimo em poucos dias específicos. Somente em 21 de maio foram publicados 11.416 autos relacionados ao PMF. No dia anterior (20), foram 10.088 registros. Já em 19 de maio, o número chegou a 2.898 autuações.

Multas aplicadas pela ANTT entre 18 e 22 de maio de frete mínimo (Foto: DOU; dados consolidados pela MundoLogística)
FISCALIZAÇÃO MUDA DE ESCALA
O aumento do volume ocorre em meio ao endurecimento das regras de fiscalização adotadas pelo Governo Federal e pela ANTT nos últimos meses.
Em março, o governo publicou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que reforçou mecanismos de controle sobre o cumprimento do piso mínimo do frete e ampliou penalidades para casos de descumprimento.
Na sequência, a ANTT publicou as Resoluções nº 6.077/2026 e nº 6.078/2026, regulamentando a medida e estabelecendo um novo modelo operacional baseado na validação prévia das operações por meio do CIOT.
Em abril, a agência avançou com a publicação da Portaria SUROC nº 6/2026, que passou a impedir a geração do CIOT em operações com frete abaixo do piso mínimo. A norma entrou em vigor no último domingo (24).
A nova etapa da fiscalização prevê ainda integração entre CIOT, MDF-e e notas fiscais eletrônicas, ampliando a rastreabilidade das operações e a capacidade de verificação automática das informações registradas no transporte rodoviário de cargas.
NOVAS REGRAS AMPLIAM RASTREABILIDADE
Em março, durante o anúncio das novas medidas relacionadas ao piso mínimo do frete, o então ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o número de autuações aplicadas pela ANTT havia passado de cerca de 300 por mês antes do início do atual governo para aproximadamente 6 mil em 2024, chegando naquele momento à marca de cerca de 40 mil autuações mensais.
Segundo o ministro, até março, as multas aplicadas às empresas haviam somado R$ 419 milhões nos quatro meses anteriores.
Dados levantados pela ANTT a pedido do g1 mostram que, somente em 2026, a agência já aplicou mais de R$ 354 milhões em multas relacionadas ao descumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas, com mais de 90 mil autuações registradas no período.
O volume representa alta de 33% em relação a todo o ano de 2025, quando cerca de 67 mil multas foram aplicadas. Em 2018, primeiro ano da série histórica, o valor total das multas aplicadas por esse tipo de infração foi de R$ 69 mil em todo o ano.
De acordo com a agência, o aumento no número de autuações está relacionado ao uso mais intensivo da fiscalização eletrônica no setor.
A MundoLogística também solicitou à ANTT os valores atualizados referentes às multas aplicadas em abril deste ano, mas ainda não recebeu retorno da agência até a publicação desta reportagem.
Fonte: Mundo Logística / Foto: Shutterstock
Envie sua sugestão de pauta para nossa equipe pelo e-mail: contato@setcepar.com.br
Durante todo o ano o Sindicato realiza diversos Cafés da manhã em parceria com algumas empresas, na ocasião produtos e serviços são apresentados às empresas associadas e/ou ligadas à elas.
Em um ambiente mais informal, aproximadamente 80 participantes apreciam a marca apresentada enquanto saboreiam um delicioso e completo café da manhã.
O Evento acontece na Sede do Sindicato, que conta com a estrutura de um moderno salão de eventos. Investindo apenas R$4.000,00, incluindo o café da manhã e todos os serviços, a empresa contratante terá a preocupação em apenas apresentar-se.