Além dos riscos nas rodovias, o excesso de chuva prejudica as operações de carregamento e descarga, pode elevar os custos logísticos e exige cuidados adicionais para preservar a qualidade das mercadorias transportadas
As chuvas intensas registradas no Paraná nas últimas semanas têm aumentado os desafios enfrentados pelas empresas de transporte rodoviário de cargas, especialmente na região Oeste, onde o setor está diretamente ligado ao agronegócio e à agroindústria.
Além dos riscos nas rodovias, o excesso de chuva prejudica as operações de carregamento e descarga, pode elevar os custos logísticos e exige cuidados adicionais para preservar a qualidade das mercadorias transportadas.
Levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) apontou que, nos primeiros 12 dias de outubro, 16 estações meteorológicas do Estado já haviam registrado volumes de chuva superiores à média histórica prevista para todo o mês.
Em Cascavel, o acumulado chegou a 267,4 milímetros, acima da média mensal de 239,5 milímetros. Em Foz do Iguaçu, foram registrados 372,4 milímetros, diante de uma média histórica de 262,2 milímetros.
“Estamos tendo um ano diferente, com eventos que vêm mudando as atividades e as decisões que tomamos no mundo da logística, tanto nas nossas empresas quanto nas operações dos embarcadores”, destaca Eduardo Ghelere, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar).
Um dos principais problemas está nas condições oferecidas aos motoristas durante as operações logísticas. Em períodos de chuva intensa, a falta de infraestrutura adequada nos locais de carregamento e descarga pode dificultar o trabalho, aumentar o tempo de permanência dos veículos e expor os profissionais a situações de risco.
Em propriedades rurais e unidades agroindustriais, o acúmulo de água e lama pode comprometer os acessos aos pontos de carregamento, atrasar as atividades e exigir cuidados extras para a movimentação das cargas.
Os impactos também podem atingir a produção agropecuária. Chuvas fortes e ventos intensos ameaçam lavouras, barracões, silos e outras estruturas utilizadas no armazenamento e na movimentação de produtos agrícolas.
Como o transporte rodoviário é fundamental para o escoamento da produção, eventuais perdas e interrupções podem alterar a programação das viagens, os volumes transportados e os prazos de entrega.
Diante desse cenário, a prevenção ganha importância para as transportadoras. A inspeção dos veículos, a verificação das condições das lonas e o acompanhamento das etapas de carregamento e descarga ajudam a reduzir o risco de avarias, principalmente no transporte de produtos sensíveis à umidade, como farinhas e cereais.
Segundo Ghelere, esses procedimentos também são importantes para proteger financeiramente as empresas.
“Como setor de transporte, precisamos nos estruturar para evitar prejuízos no dia a dia. O checklist dos veículos e a conferência das lonas passam a ser ainda mais importantes nessas épocas. Qualquer umidade em cargas como farinha pode comprometer a qualidade do produto, e até um pequeno furo na lona pode gerar problemas com a cobertura do seguro”, explica.
Além do risco de danos às mercadorias, os cuidados adicionais podem tornar as operações mais demoradas e aumentar os custos. Em um setor que trabalha com margens apertadas, inspeções extras, atrasos e perdas de produtos representam desafios para a gestão das empresas.
Nesse contexto, a integração entre transportadoras e embarcadores é fundamental para antecipar dificuldades, ajustar procedimentos e garantir melhores condições para a movimentação das mercadorias.
A prevenção também depende da troca de informações e experiências entre os diferentes agentes do transporte rodoviário de cargas.
O Sintropar desenvolve iniciativas voltadas à atualização dos empresários e à aproximação entre transportadoras, especialistas e empresas do setor, com discussões sobre segurança, gestão e desafios operacionais.
Para Ghelere, o planejamento precisa estar acompanhado de atenção à execução das atividades diárias, desde a preparação dos veículos até a entrega das mercadorias.
“Não podemos esquecer que, antes de toda a burocracia, existe a operação: o dia a dia, a carga e a descarga. O foco do transportador que tem bons resultados é a execução bem-feita das suas atividades”, conclui.
Fonte: RR+ / Foto: Sistema Faep
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