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Mercado 04/11/2026 - por SETCEPAR

Comunicado SETCEPAR: O que muda nos custos do transporte em 2027

Diversas mudanças legais, tributárias e econômicas chegam ao mesmo tempo, e não há como absorvê-las sem que sejam refletidas no preço do frete

Comunicado SETCEPAR: O que muda nos custos do transporte em 2027

Aos transportadores, operadores logísticos, embarcadores e à sociedade paranaense, o SETCEPAR – Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas no Estado do Paraná, vem ao público alertar que o transporte rodoviário de cargas enfrentará, nos próximos meses, uma elevação expressiva de custos. Diversas mudanças legais, tributárias e econômicas chegam ao mesmo tempo, e não há como absorvê-las sem que sejam refletidas no preço do frete.

Por que os custos vão subir:

Nova jornada de trabalho. A Emenda Constitucional nº 141/2026 extinguiu a escala 6x1. A jornada máxima cai para 42 horas semanais em 16 de dezembro de 2026, se estiver autorizada em CCT ou ACT, e para 40 horas em dezembro de 2027, sem redução de salários. Só isso encarece em cerca de 10% cada hora trabalhada. Além desta redução, a ampliação do descanso semanal remunerado significa que a operação precisará aumentar o quando de empregados, para que toda a logística continue atendendo à demanda. Além disso, com o aumento do DSR, haverá um grande reflexo disso no custo das horas extras e do adicional noturno. 

Queda de produtividade. O impacto mais sério da nova jornada será sobre a produtividade, sobretudo nas viagens de média e longa distância. O setor já convive com os limites de jornada do motorista, com rodovias em más condições e com os longos tempos de carga e descarga impostos pelos embarcadores.

Encargos sobre a folha. Pela Lei nº 14.973/2024, a contribuição patronal sobre a folha sobe de 10% para 15% em janeiro de 2027, retornando integralmente aos 20% em 2028.

CBS e IBS. O TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027, a ser confirmada pelo Senado. Com o IBS, em teste a partir de 2027 e implantado de 2029 em diante, a carga combinada deve chegar a cerca de 30% ao fim da transição. O grande desafio será organizar as empresas e adequar fornecedores e clientes para não perder créditos.

Crédito limitado no diesel. A Portaria MF nº 3.074/2026 fixou a CBS do diesel em R$ 0,3515 por litro, a partir de 8 de janeiro de 2027. O crédito passa a ser calculado por litro, qualquer que seja o preço pago. Como o combustível responde por 35% a 50% dos custos, conforme a operação, a perda será significativa.

Preço do diesel. A subvenção federal de R$ 2,12 por litro foi prorrogada por apenas 30 dias. Trata-se de uma medida temporária, e seu fim tende a pressionar o preço na bomba.

Juros e crédito. Os juros devem seguir altos, com crédito mais restrito para o setor diante do aumento da inadimplência.

Tabela de frete mínimo. A tabela foi criada para o autônomo e muitos embarcadores passaram a usá-la como preço de frete. Mas ela reflete apenas custos operacionais, sem tributos, taxas, despesas administrativas, seguros, riscos e margem de lucro.

Transportador, este é o momento de agir

Não podemos colocar em risco empresas e patrimônios construídos com tanta dedicação, que geram empregos e recolhem um volume enorme de tributos, num ambiente sem segurança jurídica nem previsibilidade.

Cada empresa, com base em seus próprios custos, precisa ter firmeza para recusar fretes que não cubram todas as despesas da operação, não aceitar a tabela de frete mínimo como referência e cobrar os componentes que o setor conquistou ao longo de anos de luta, como GRIS, TSO e Ad Valorem. Antes de formar o preço, é preciso avaliar o risco de cada operação, as condições das rodovias e a produtividade real.

Embarcador, precisamos construir juntos

Os impactos atingirão toda a cadeia. Sem diálogo, negociação e reconhecimento dos custos reais do transporte, não haverá como assegurar qualidade e regularidade no abastecimento e no escoamento da produção. Pedimos parceria, seriedade, respeito às características de cada operação e remuneração justa pelo serviço contratado, sempre dentro da legalidade.

O que o SETCEPAR fará

Nos próximos meses, o SETCEPAR promoverá capacitações, análises, debates e seminários sobre esses temas, mostrando o impacto real nos custos e apoiando as empresas na aplicação dos reajustes necessários, inclusive preventivos.

O transporte rodoviário de cargas é essencial para a economia: é ele que, com as empresas e suas redes de autônomos e agregados, faz o Paraná e o Brasil funcionarem. Com resiliência, persistência e união, vamos garantir a continuidade dos nossos negócios.



Curitiba, 04 de novembro de 2026.

Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná

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