Alta do diesel, infraestrutura precária e mão de obra encarecem o frete e comprometem a sustentabilidade do setor, que prevê repasse aos clientes
O primeiro semestre de 2026 foi marcado pelos custos altos e rentabilidade baixa para as empresas transportadoras e para os autônomos no País. Segundo estudos da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), a defasagem média foi de 10,5% entre os valores do frete praticados e os custos efetivos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), apurados pelo Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (Decope).
O índice é encarado como um sinal de alerta para transportadores, embarcadores, contratantes e demais agentes envolvidos na contratação do transporte, uma vez que a manutenção de preços abaixo dos custos pode comprometer a sustentabilidade econômica das operações e, consequentemente, a capacidade de manutenção da qualidade e da segurança dos serviços.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, destaca que os elementos essenciais ao funcionamento do setor, como o diesel, que compõe grande parte dos custos dos transportadores, geraram elevação dos custos.
Ele diz que, se o subsídio que tem ajudado a reduzir o preço final do combustível não for mantido, a situação pode ficar ainda pior. “Tivemos problemas com o preço do diesel, que é um dos principais custos que temos nas nossas tarifas. Ele teve uma variação muito grande por causa da guerra [Irã-EUA]. E podemos ter um problema ainda maior com o diesel, que hoje está sendo parcialmente subsidiado, mas isso deve valer só até o mês que vem; se o governo tirar esse subsídio, a situação piora”, alerta Gladstone Viana.
Outro ponto levantado pelo presidente da Fetcemg como problema é a dificuldade com a mão de obra. Segundo ele, o setor teve que se adaptar muito à nova regulamentação, o chamado “frete mínimo” (MP que virou lei e ditou novas regras, definindo obrigatoriedade de preço mínimo, porém sem fixar um valor).
“Na verdade, não é um frete mínimo, mas sim um custo mínimo do frete. Isso exigiu uma elevação do preço”, diz.
Após um período de maior estabilidade dos custos operacionais em 2025, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por forte pressão sobre os custos do transporte, especialmente em razão dos combustíveis. No período, o combustível apresentou aumento acumulado de 17,63%, enquanto os demais componentes também registraram elevação.
O componente de custo acumulado no 1º semestre de 2026 ficou da seguinte maneira, de acordo com o estudo NTC&Logística: caminhão, 1,32%; mão de obra, 5%; e combustível, 17,63%.
No acumulado de 12 meses, o INCT-Lotação registrou alta de 8,36%, enquanto o INCT-Fracionado aumentou 8,19%, ambos acima do IPCA do período, de 4,64%. Segundo Gladstone Viana, da Fetcemg, o cenário pode ficar ainda mais complicado se a escala 5×2 for implantada.
“Se vier uma escala de rodízio tipo 5×2, por exemplo, isso vai exigir mais caminhões e mais mão de obra rodando. E o custo da carga pode subir mais de 20%”, disse.
Os custos elevados que defasam o frete em Minas Gerais e no País ganham um elemento extra quando entra na conta o estado da infraestrutura de Minas Gerais, que possui a maior malha rodoviária federal do Brasil e liga quatro das cinco regiões do País por suas estradas.
“Quando falamos especificamente de Minas Gerais, o problema fica ainda mais evidente. Temos uma infraestrutura péssima em todos os sentidos: não há integração entre os modais. Quando existe, é pequeníssima, seja ferrovia ou caminhão. As estradas são muito malcuidadas, tanto as federais quanto as estaduais e municipais. Para você ter uma ideia, o custo operacional em Minas é de 28% a 30% mais caro do que em São Paulo. Isso altera o panorama de precificação do frete”, destaca Gladstone Viana, que indicou que, para fechar a conta, as empresas devem repassar o custo para o cliente final que usa os seus serviços.
“Não é uma questão de equilibrar a conta. Nós vamos repassar esse custo para o frete. Não podemos assumir um custo de algo que não estamos produzindo”, completa.
Segundo o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas de Minas Gerais (Fetcemg), a busca por diálogo será o caminho para melhorar a situação. “Conversamos com o governo federal e com o governo estadual. Já começou alguma coisa: as privatizações das estradas que já foram feitas representam um avanço, ainda que pequeno”, diz.
“Na BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, até Caeté, já vemos obras em andamento e a situação está começando a melhorar, mas ainda é um processo lento”, disse Gladstone Viana, que também sonha, para o setor, com o rodoanel em BH e região metropolitana.
“O caso do Rodoanel, na prática, não existe. Não temos um anel rodoviário, temos um semicírculo. Precisamos desse rodoanel há anos, para conseguir sair de Belo Horizonte sem cair nesse anel viário incompleto”, finaliza Viana.
Fonte: Diário do Comércio / Foto: Alessandro Carvalho
Envie sua sugestão de pauta para nossa equipe pelo e-mail: contato@setcepar.com.br
Durante todo o ano o Sindicato realiza diversos Cafés da manhã em parceria com algumas empresas, na ocasião produtos e serviços são apresentados às empresas associadas e/ou ligadas à elas.
Em um ambiente mais informal, aproximadamente 80 participantes apreciam a marca apresentada enquanto saboreiam um delicioso e completo café da manhã.
O Evento acontece na Sede do Sindicato, que conta com a estrutura de um moderno salão de eventos. Investindo apenas R$4.000,00, incluindo o café da manhã e todos os serviços, a empresa contratante terá a preocupação em apenas apresentar-se.