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Mercado 18/06/2026 - por Agência Transporte Moderno

MP do Frete é aprovada pela Câmara; veja o que muda na prática

Medida amplia controle do CIOT e inclui novas regras trabalhistas e punições ao setor; texto ainda segue para o Senado

MP do Frete é aprovada pela Câmara; veja o que muda na prática

A Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (17) a Medida Provisória (MP) 1.343/2026 que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e amplia os instrumentos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para controlar a contratação de transporte de cargas no país. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

A proposta enviada pelo governo tinha como foco principal o fortalecimento do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), mecanismo usado para registrar operações de frete e permitir o acompanhamento da política de piso mínimo. No entanto, o texto aprovado pelos deputados foi ampliado durante a tramitação e passou a incorporar mudanças mais amplas para o setor.

Na prática, a principal alteração é que todas as operações de transporte rodoviário de cargas passam a ter registro obrigatório no CIOT. O sistema reúne informações como contratante, transportador, origem, destino e valor do frete, e passa a ser o principal instrumento de fiscalização do cumprimento da tabela mínima.

A ANTT também ganha poder para impedir a emissão do CIOT quando a operação for contratada abaixo do piso mínimo do frete. Isso significa que, na prática, fretes abaixo da tabela tendem a ser barrados ainda na etapa de contratação formal.

Metodologia, punição e reincidência

Outro ponto relevante é que a metodologia de cálculo do piso mínimo passa a ser definida em lei. O texto lista os critérios que deverão ser obrigatoriamente considerados pela ANTT, como distância percorrida, tipo de veículo, quantidade de eixos, natureza da carga, custos operacionais, preço do combustível e demais insumos do transporte.

A mudança é considerada sensível porque reduz a flexibilidade da agência reguladora para alterar a metodologia por meio de atos infralegais. Ou seja, o Congresso passa a “engessar” parte das regras que hoje são definidas na esfera técnica da ANTT.

O texto também endurece as punições para quem descumprir o piso mínimo. Contratantes que pagarem abaixo da tabela poderão ser obrigados a indenizar o transportador em valor equivalente ao dobro do frete devido, além de sofrer sanções administrativas.

Em caso de reincidência, a proposta prevê a suspensão temporária do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), o que impede a operação regular no transporte remunerado de cargas.

Além das mudanças no frete, os deputados incluíram dispositivos voltados aos caminhoneiros. O principal deles é a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados sob regime CLT.

O relatório também amplia o escopo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que passa a incluir ações de renovação de frota, qualificação profissional, segurança viária e infraestrutura de apoio aos motoristas.

Um dos pontos mais controversos da tramitação foi a inclusão da anistia às multas aplicadas a caminhoneiros que participaram de bloqueios e manifestações em 2022. O dispositivo não constava na versão original enviada pelo governo e gerou reação de parlamentares da base governista.

Agora, a MP segue para o Senado. Se aprovada sem alterações, o setor de transporte rodoviário passará a operar sob regras mais rígidas de fiscalização e com maior intervenção na formação e controle do preço do frete.

O que muda com a MP do Frete

Tema Como era na MP original do governo Como ficou no texto aprovado pela Câmara
Objetivo

Reforçar fiscalização do piso mínimo do frete via CIOT

Mantido, com ampliação para regras trabalhistas e setoriais
CIOT

Obrigatório para registro das operações

Mantido e ampliado, com bloqueio de emissão abaixo do piso
Fiscalização

Medidas administrativas da ANTT

Controle mais rígido com barreira prévia de contratação
Metodologia do frete

Definida por regulação da ANTT

Critérios passam a ser definidos em lei (distância, eixos, carga, custos etc.)
Penalidades

Sanções administrativas

Multa equivalente ao dobro do frete e novas punições
Reincidência

Não detalhada

Suspensão do RNTRC em caso de reincidência
Piso salarial

Não previsto

Criação de piso nacional de R$ 5 mil para motoristas CLT
Procargas

Não alterado

Ampliação para renovação de frota e infraestrutura
Multas de 2022

Não incluído

Anistia para caminhoneiros envolvidos em bloqueios

 

Fonte: Agência Transporte Moderno / Foto: Divulgação

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