Negócios entre Paraguai e Paraná ganham força com avanço do comércio bilateral, crescimento das exportações e novas parcerias estratégicas
O comércio entre Brasil e Paraguai já movimenta entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões por ano e a tendência é de crescimento nos próximos anos. Apesar de ainda distante dos números registrados com gigantes como China, Estados Unidos e Argentina, o país vizinho vem consolidando uma relação estratégica com o mercado brasileiro, especialmente com o Paraná, principal porta de entrada dessa conexão econômica na fronteira Sul.
Além da proximidade geográfica, o avanço da relação comercial também acompanha o crescimento da comunidade brasileira no Paraguai. Segundo dados do departamento de imigração paraguaio, cerca de 350 mil brasileiros vivem atualmente no país vizinho de forma regular. Considerando os imigrantes não registrados, o número pode ultrapassar 450 mil pessoas. Com isso, o Paraguai já aparece como o terceiro país com maior número de brasileiros vivendo no exterior, atrás apenas de Estados Unidos e Portugal.
Mesmo com o forte fluxo de turismo de compras, a balança comercial entre os dois países revela um cenário diferente do imaginado por muitos brasileiros: o Paraguai importa mais produtos do Brasil do que exporta. Dados da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil apontam que, em 2025, o Paraguai importou cerca de US$ 4,1 bilhões em produtos brasileiros, enquanto exportou aproximadamente US$ 3,4 bilhões.
O volume pode parecer pequeno na comparação com os maiores parceiros comerciais do Brasil, a China movimenta quase US$ 200 bilhões ao ano e os Estados Unidos entre US$ 75 bilhões e US$ 85 bilhões, porém o mercado brasileiro representa atualmente cerca de 25% de todas as exportações paraguaias, consolidando o Brasil como principal parceiro comercial do país vizinho.
Boa parte dessa movimentação econômica passa diretamente pelo Paraná, estado que concentra operações logísticas, industriais e comerciais ligadas à fronteira. De olho nesse potencial, o presidente do Grupo Ric, Leonardo Petrelli, cumpriu agenda institucional em Assunção, capital paraguaia, onde se reuniu com o presidente da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, Fábio Fustagno.
Também participaram do encontro a gerente-geral da Câmara de Comércio, Carolina Orué, e o diretor executivo da Ric Record Regional Oeste, Pedro Andrade. Durante a reunião, foram apresentados projetos de mídia e iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações comerciais entre empresários paranaenses e paraguaios.
Segundo Fustagno, alguns setores já demonstram forte integração econômica entre os dois países, como o segmento de autopeças, que sozinho movimenta cerca de US$ 500 milhões anuais entre Brasil e Paraguai.
“O objetivo é suplantar as importações da Ásia porque a logística é bem complicada e a importação do Paraguai é bem mais simples. Em 72 horas, o produto consegue estar na prateleira. Uma boa notícia é que a troca comercial em 2025 foi de US$ 8 bilhões e, no fechamento do primeiro quadrimestre, aumentou mais 11%. O cenário é muito positivo”, afirma Fábio Fustagno.
A gerente-geral da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, Carolina Orué, destacou a importância da comunicação para fortalecer a imagem do Paraguai além do turismo de fronteira.
“É um trabalho tão interessante, porque é construir realmente os dois países, e eu me emociono realmente. Uma comunicação bem trabalhada e bem colocada é enriquecedora”, comenta.
O interesse de empresas brasileiras em operar no Paraguai também segue em alta. Atualmente, cerca de 20 mil CNPJs aguardam autorização para transferência ou abertura de operações no país vizinho, muitas delas ligadas ao Paraná.
O estado é líder nacional na exportação de carne de frango, erva-mate e madeira para construção, além de ocupar a segunda posição no ranking de exportação de carne suína, setores que enxergam no Paraguai uma oportunidade logística e tributária estratégica para expansão dos negócios.
Fonte: Banda B / Foto: Divulgação - Canva
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